Desenvolver uma marca pessoal foi, para mim e para vários designers, motivo de dúvidas que se arrastaram por anos: qual a identidade desejada?, quais os elementos a serem ressaltados?, o foco deve estar na minha pessoa ou no meu trabalho?, quais os limites dessa distinção e o que ela significa?, quem eu sou?, de onde vim?, pra onde vou? Em casos extremos o projetista chega a sonhar com a marca ou com ele próprio trabalhando em seu desenvolvimento, o que pode acontecer em outros trabalhos de acordo com o nível de envolvimento.
Em 2008, como em 2007, 2006, 2005… desenhei mais uma marca pra mim. Tomei a decisão de utilizar meu nome próprio e suas iniciais, v e p, por motivos práticos como a manutenção de contatos comerciais existentes mas, principalmente, por saber que o projetista profissional, o poeta ridículo e o jovem deslumbrado são a mesma pessôa, mais ou menos ajustada a cada uma das situações.
Dessa vez, ao contrário das tentativas anteriores, reconheci-me na forma desenhada: o ideograma de uma pessoa vendo.
Uma descrição resumida do ato de ver seria: no olho a luz atravessa a córnea, o humor aquoso e o cristalino, projetando-se na retina e formando uma imagem invertida, como nos filmes fotográficos. O nervo óptico transmite ao cérebro o impulso nervoso provocado pelos raios luminosos e o cérebro interpreta este impulso, o que nos permite ver o objeto na posição em que “realmente” se encontra. Nosso cérebro reúne em uma só imagem os impulsos nervosos provenientes dos dois olhos, como faz agora para permitir que leia este texto. pt.wikipedia.org/wiki/Olho_humano
Assim, a forma triangular que representa a inicial V não seria a representação de um objeto, mas sua imagem dentro do olho, o objeto refletido de cabeça pra baixo, no fundo da retina, antes do nervo óptico levar a imagem ao cérebro: a imagem que não vemos mas existe.
Outra observação importante é que, quando não existem minúsculas e se escreve a cinzel, VICENTE PESSÔA começa e termina com triângulos, representando vetores contrários, a possibilidade de rotação e a expectativa do moto-perpetuo.
Mover-se eternamente é um objetivo.
Viver eternamente também.
E enfim…
ANO: 2008 | AGÊNCIA: vicente pessôa ; design & viagens | CRÉDITOS: Vicente PessôaQuinta-feira, 24 de setembro, aniversário da Dona Ramona, também é a inauguração da exposição Suspensa/Suspensos, de Clarice Lacerda, Pedro Veneroso e Vicente Pessôa.
É uma exposição sem tema, mas com a idéia de diálogo. O catálogo é uma das obras que, sou suspeito pra falar, vale a pena o esforço. Uma prévia:
Se não tiver nada melhor [...]
nós – volta singela – performance de Clarice Lacerda, Vicente Pessôa e Você no MIP2. Quinta-feira, 06 de agosto de 2009, Centoequatro.
ontologia:fumante entre os 20 projetos preferidos do público na 9ª Bienal Brasileira de Design Gráfico | ADG Brasil